Primeiro...clica aí vai e curte esse som espetacular:
Depois de umas reflexões sobre a
bike, após um rolê gostoso de sábado, cheguei em um desfecho de pensamento que
representa muito o que estamos vivendo hoje: o "parecer fazer" está
sendo valorizado mais do que o “fazer” em si. Isso em todos os sentidos e,
principalmente, depois das mídias sociais para “engajamento”.
Uma grande parte de pessoas hoje
vive “parecendo ser”. Uma autossabotagem tão sutil que gratifica o Ego, mas
afoga o Ser Interior. E como os aplausos são sempre maiores, essa corrente vem
se fortalecendo. E as pessoas estão na busca contínua de parecer ser,
esquecendo a essência de si mesmas. Afinal, para que fazer, se o
"parecer" traz dopamina dobrada para a “caixola”?
Esse movimento é silencioso e, ao mesmo tempo, perigoso. Porque o “fazer” é muito desconfortável a curto prazo... Criar uma base sólida demanda tempo, energia e poucos aplausos. Requer recomeçar todos os dias, requer errar muito. É um processo doloroso que precisa de resiliência e constância. A evolução vem dessa escada cheia de buracos ou do caminho cheio de pedras e espinhos.
No ambiente coorporativo, isso é
muito bem visível hoje. Um fato caricato foi o “Evento anual de reconhecimento”
da empresa. Um evento onde as iniciativas e projetos são reconhecidos. E, de
fato, é um excelente programa pois estimula ideias inovadoras em todas as
áreas. O fato é que o evento está virando uma vitrine de bonecos, onde as
iniciativas que mais são valorizadas são as que "parecem fazer" mais
resultado, e não as que efetivamente fazem. Ninguém nem checa os números
publicados e os fatos apresentados.
E vou logo falar. Não faço esse
relato porque fiquei em 3º lugar no Evento. Afinal, já fiquei em 1º lugar
também quase 2 anos. Isso na verdade não faz muita diferença para mim. Sempre participei para fortalecer a área que
atuo.
Minha percepção de mundo muda quando vejo esse cenário de valorização sendo invertido. A valorização é direcionada para ideias ou projetos que tem a fachada de “alto grau de complexidade e inovação” (que talvez fuja até do que é ser inovador). Muitas vezes inovar é simplificar! Assim, o palco fica dedicado aos que produzem papel e sonhos muitas vezes inatingíveis. E parece não ter peneira, isso é muito louco! Como disse um amigo: "A galinha não precisa botar o ovo. Ela só precisa fazer barulho e fingir que está botando".
Bem. Existe 3 opções ao meu ver:
- Aceitar o “fazer real” de forma
silenciosa e buscar ser feliz, mas sem muito aplausos.
- Entrar na dança, vender papel barulhento e
sonhos inatingíveis, correndo risco de se sentir frustrado por de fato não
fazer nada real. Além de poder colocar a empresa em risco real (pois sonho
inatingível não garante eficiência operacional, a não ser que a empresa seja
rica e não esteja nem aí para rasgar dinheiro fora).
- Jogar o jogo e ser feliz, se
desconectando totalmente, fingindo demência e não se importando. “Chutar o pau
da barraca” e somente executar sem gastar muita energia vital.
A opção de ficar descontente com
a situação eu simplesmente descartei. Porque não adianta, isso não vai mudar e
só tende a piorar.
Eu estou misturando um pouco da
primeira com a terceira opção, para reduzir um pouco o risco da empresa e ter
uma história real para contar, além de ignorar mentalmente alguns fatos.
Bem. E sobre desconforto?
Você treina aprender é no
desconforto. É ali que começa. Tudo começa com um desconforto. Logo depois o desconforto
é um desafio a ser vencido. Logo após o desconforto vira uma “dança” e a vida
flui mais forte. Pulsa. Foi assim que houve evolução.
Estamos indo hoje no caminho
oposto. Qualquer mínimo desconforto é
visto como chato. Paramos no processo pela metade. Queremos aplausos imediatos
e pipoca quentinha agora. Porque parecer “é mais gostosinho”, não é verdade?
Faz uma vez, tira um milhão de fotos e vive desse prazer repetidamente...
Aplausos! “Esse camarada é foda mesmo hein!!!”
Nos esquecemos que a essência de
superar vem de dentro... Vem sem aplausos. Vem do que efetivamente estamos
fazendo. Assim fortalecemos nosso Ser Interior. Base sólida.
Não sei onde isso vai parar e nem
qual o prejuízo disso a longo prazo. Nem quero prever. Afinal cada um vive como
quer, não é mesmo?


















































