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sábado, 21 de março de 2026

O TEMPO DO “PARECER FAZER”

Primeiro...clica aí vai e curte esse som espetacular:


Depois de umas reflexões sobre a bike, após um rolê gostoso de sábado, cheguei em um desfecho de pensamento que representa muito o que estamos vivendo hoje: o "parecer fazer" está sendo valorizado mais do que o “fazer” em si. Isso em todos os sentidos e, principalmente, depois das mídias sociais para “engajamento”. 

Uma grande parte de pessoas hoje vive “parecendo ser”. Uma autossabotagem tão sutil que gratifica o Ego, mas afoga o Ser Interior. E como os aplausos são sempre maiores, essa corrente vem se fortalecendo. E as pessoas estão na busca contínua de parecer ser, esquecendo a essência de si mesmas. Afinal, para que fazer, se o "parecer" traz dopamina dobrada para a “caixola”?

Esse movimento é silencioso e, ao mesmo tempo, perigoso. Porque o “fazer” é muito desconfortável a curto prazo... Criar uma base sólida demanda tempo, energia e poucos aplausos. Requer recomeçar todos os dias, requer errar muito. É um processo doloroso que precisa de resiliência e constância. A evolução vem dessa escada cheia de buracos ou do caminho cheio de pedras e espinhos.

No ambiente coorporativo, isso é muito bem visível hoje. Um fato caricato foi o “Evento anual de reconhecimento” da empresa. Um evento onde as iniciativas e projetos são reconhecidos. E, de fato, é um excelente programa pois estimula ideias inovadoras em todas as áreas. O fato é que o evento está virando uma vitrine de bonecos, onde as iniciativas que mais são valorizadas são as que "parecem fazer" mais resultado, e não as que efetivamente fazem. Ninguém nem checa os números publicados e os fatos apresentados. 

E vou logo falar. Não faço esse relato porque fiquei em 3º lugar no Evento. Afinal, já fiquei em 1º lugar também quase 2 anos. Isso na verdade não faz muita diferença para mim.  Sempre participei para fortalecer a área que atuo.

Minha percepção de mundo muda quando vejo esse cenário de valorização sendo invertido. A valorização é direcionada para ideias ou projetos que tem a fachada de “alto grau de complexidade e inovação” (que talvez fuja até do que é ser inovador). Muitas vezes inovar é simplificar! Assim, o palco fica dedicado aos que produzem papel e sonhos muitas vezes inatingíveis. E parece não ter peneira, isso é muito louco! Como disse um amigo: "A galinha não precisa botar o ovo. Ela só precisa fazer barulho e fingir que está botando".

Bem. Existe 3 opções ao meu ver:

- Aceitar o “fazer real” de forma silenciosa e buscar ser feliz, mas sem muito aplausos.

-  Entrar na dança, vender papel barulhento e sonhos inatingíveis, correndo risco de se sentir frustrado por de fato não fazer nada real. Além de poder colocar a empresa em risco real (pois sonho inatingível não garante eficiência operacional, a não ser que a empresa seja rica e não esteja nem aí para rasgar dinheiro fora).

- Jogar o jogo e ser feliz, se desconectando totalmente, fingindo demência e não se importando. “Chutar o pau da barraca” e somente executar sem gastar muita energia vital.

A opção de ficar descontente com a situação eu simplesmente descartei. Porque não adianta, isso não vai mudar e só tende a piorar.

Eu estou misturando um pouco da primeira com a terceira opção, para reduzir um pouco o risco da empresa e ter uma história real para contar, além de ignorar mentalmente alguns fatos.

Bem. E sobre desconforto?

Você treina aprender é no desconforto. É ali que começa. Tudo começa com um desconforto. Logo depois o desconforto é um desafio a ser vencido. Logo após o desconforto vira uma “dança” e a vida flui mais forte. Pulsa. Foi assim que houve evolução.

Estamos indo hoje no caminho oposto.  Qualquer mínimo desconforto é visto como chato. Paramos no processo pela metade. Queremos aplausos imediatos e pipoca quentinha agora. Porque parecer “é mais gostosinho”, não é verdade? Faz uma vez, tira um milhão de fotos e vive desse prazer repetidamente... Aplausos! “Esse camarada é foda mesmo hein!!!”

Nos esquecemos que a essência de superar vem de dentro... Vem sem aplausos. Vem do que efetivamente estamos fazendo. Assim fortalecemos nosso Ser Interior. Base sólida.

Não sei onde isso vai parar e nem qual o prejuízo disso a longo prazo. Nem quero prever. Afinal cada um vive como quer, não é mesmo?